terça-feira, 10 de abril de 2012

Viver para não recordar.

Ultimamente tenho pensado que a vida anda sendo, talvez não apenas parar mim, uma piada de mal gosto. Já não está claro na mente tamanho espaço de tempo em que não se é possível dormir, e isso não é lá nenhum pedido excepcional, bem. As preocupações do dia-a-dia (e eu como bom e antiquado brasileiro me nego a aposentar os hífens) já não são mais cuidar do dinheiro pra que ele chegue ao final do mês, perder o cabelo com alguma dívida impagável. Não, felizmente isso nunca foi algo com o qual eu tivesse realmente com que me preocupar. As novidades são muitas, infelizmente, mais tristes do que boas, como não poderia deixar de ser uma piada de mal gosto que se preze. Sinceramente, já estou de saco cheio dessa vida. Puta merda. Família, já não sei mais o que é faz tempo. Outro dia me ligaram do hospital onde minha mãe mora, já que devido a doença degenerativa dela, a impossibilita de morar conosco, dizendo "Olha, quebramos o braço de sua mãe ao movimentar ela após o banho". Lindo. Papai é outro, que mesmo com a melhor das intenções em não dar trabalho, sempre me cobra expediente dobrado, pois mesmo encarando a morte de frente há poucos anos, insiste em manter aquelas arrobas extras. A parte boa do blog é poder falar abertamente sobre o que se quer, sem correr o risco de chatear outrém. Então fica o desabafo, pra uma leitura, e reflexão no futuro. Hoje é 10 de abril de 2012. Tenho quase 30 anos e nao terminei a faculdade, trabalho num emprego que eu nao odeio, mas que também nao é o sonho de absolutamente ninguém. Me sinto sozinho o tempo todo, fechado dentro da minha propria mente. Hoje discuti com uma das pessoas mais importantes da minha vida, sobre uma banalidade. Depois me desculpei, mesmo nao julgando estar errado no que pensava, mas como dizia. Reitero, que não faço o que não quero, tampouco finjo. Posso nao exprimir bem meus sentimentos, mas sei exatamente do que nao gosto, e no que não acredito, logo, vou manter a posição quanto ao cristianismo. Preciso respeitar, mas não há mal algum em exigir respeito pela descrença. Afinal, se deuses são salvação e bondade. Eu sou o diabo em pessoa, com as atitudes que sou obrigado a tomar. O que a lei implica que nós façamos com um caso como o de minha mae é um crime contra a moralidade. E eu odeio profundamente cada segundo em que ela tenha que sofrer nesse mundo miserável, em troca de mais um suspiro.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Meio tempo.

A dica é simples: Silêncio significa felicidade. Mas em que se fundamenta isso? Bom, é natural do ser humano sempre protestar por alguma coisa, especialmente caso interfira ou prejudique sua qualidade de vida, ou dos seus. Sempre digo para mim mesmo "As coisas tem a importância que você dá para elas", quem cala consente , e na maioria das vezes faz isso por afinidade. Essa frase sempre acompanha um pensamento que parte de uma premissa muito simples.  Problemas, são e serão sempre problemas. Diferenciar problemas grandes de pequenos é uma tarefa incrivelmente ingrata, pois a causa do desespero mais profundo para uma pessoa pode ser algo já superado por outra, e consequentemente menos dolorido, ou menos importante para ela. A maneira como encaramos as situações em que nos colocamos, ou as vezes, situações em que a vida nos coloca, evocam sempre uma boa reflexão. E a frase torna a percorrer a mente como um letreiro da broadway: "As coisas tem a importância que você dá para elas." Eu sou uma pessoa que do fundo do meu coração desejo nada menos que o bem ao mundo, independente de algumas pessoas desgostarem da minha relativa apatia com relação a algumas situações onde a grande maioria pisa em ovos.  Mas isso não me torna mais especial, ou melhor que ninguém, em absolutamente nada. Quem teve a oportunidade de conhecer o meu íntimo, costuma arregalar os olhos. Muitas por medo do que eu possa responder, evitam perguntar como é conviver numa condição como a que vivo atualmente. E a explicação não é tão mirabolante quanto parece. Na verdade é bem simples. "Alimente-se 6 vezes por dia, faça exercícios regularmente e ame alguma coisa... trabalho, alguém, ou todo mundo." Chama-se resposta padrão. Mas porque discorrer um texto deste tamanho pra dar uma resposta medíocre dessa? Simplismente porque você nao vai querer ser o responsável por convencer algum desavisado de que fazer 4 refeições por dia, sendo 2 delas reais, e duas etilicas é o que te mantém de pé! Simplismente porque esse seu modelo de vida serve apenas pra si. Cheguei em um ponto crítico. Um ponto onde eu começo a representar perigo de vida a mim mesmo. Bati 2 carros em 4 dias, o segundo hoje, logo, o primeiro na noite de vespera de natal. Na primeira batida eu poderia ter morrido, e sai completamente ILESO. Sabem o que seu senti/pensei? Absolutamente nada. Aquilo nao tinha importancia. Meu deus do céu, porque?! Posterguei por 3 dias essa publicação, porque antes quis entender o que me fez nao dar a minima para minha experiencia. E a conclusão que cheguei foi que, perdeu a graça, porque a razão transcendeu o instinto.


PS: Eu sei que esse é um texto de multiplas interpretações, mas convido o leitor fechar os olhos e buscar em sua memória o momento mais impactante de sua vida, que o tenha deixado mais deprimido. E releia o texto acima. Dolores et vita non inter se congruunt.

PS2: Dica da noite, ansiolitico e vodca sueca com aroma de baunilha. É uó.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A força do exemplo.




O conteúdo do vídeo poupa minhas palavras. Mas estas duas frases valem a citação:

"A gente tem uma certa facilidade de olhar nos canais de televisão e de repente a gente sai comentando com os amigos o mundo que a gente não viu... Então eu acho importante ir ver."

"Hoje o ser humano precisa ter uma experiência autêntica na sua vida. Está faltando isso. As pessoas só pensam em ter uma maldita casa, um maldito carro. Isso tudo é muito provisório."

Amyr Klink

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Não cito.

Quando eu era criança, não via a hora da adolescencia chegar... quando chegou doeu deixar de ser criança. Quando me acostumei com a adolescencia, chega a vida adulta e mais uma vez, senti. Sempre que posso costumo olhar pra trás e analisar como andam as coisas em comparação com o que eu esperava que fossem. E como a gente consegue se decepcionar. Me recuso a acreditar que mesmo estando isolado do mundo, sinta as coisas de uma maneira diferente. Durante a adolescencia não é incomum desafiar tudo e todos. E eu duvido que ao menos uma pessoa aí em algum lugar do cosmos, já parou para observar os adultos, e ver como geralmente tendem a ser mais serenos. Fui acalentado pelo pensamento de que a vida adulta traria responsabilidade ao invés de raiva quando surgisse  alguma contestação. Que decepção. Sonhei que a relação entre pai e filho ficasse menos distante com o passar dos anos, jogando sobre mim toda a culpa de nao entender as cosias do mundo pela inexperiencia. Então veio a curiosidade, e com ela a informação, e consequentemente algum conhecimento sobre o que é ser, e como ser pode ser tão diferente de meramente existir. Há muitas maneiras de ser, mas apenas uma de existir. As pessoas podem ser amadas por um grupo, e odiadas por outro. Podem ser intelectuais, ou fúteis. Um infinito de variações. Mas existir somente de um jeito, simplório, que a todos iguala.  Carl Sagan certa vez citou seu pai que disse: "Observe a rainha... agora observe a quantidade de gente de joelhos. Mas a rainha também janta, também dorme e toma banho. "  E essa foi a maneira com a qual o pai de Sagan explicou a uma criança a diferença entre ser e existir. São apenas os uniformes, disse ele. Essa passagem ilustra bem uma relação entre pai e filho, onde o filho cita a sabedoria do pai por julgar que aquilo tenha sentido e valor. A você, pai que lê: Seja melhor para os seus do que o seu foi para vós. Pensar é a maior dádiva  humana. Só ela é capaz de separar os que são dos que apenas existem.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Linha e agulha.

Lembro-me de uma vez em que minha mãe fez uma viagem de turismo à cidade do Rio de Janeiro. Já fazem muitos anos, mas é facil lembrar dessa ocasião, pois até onde consigo me recordar, cabem nos dedos de uma mão as vezes em que viajou a lazer. Lembro da satisfação que irradiava quando voltou. Aquela viagem foi, sem sombra de dúvidas a mais especial para ela. E sem nenhuma intenção, para mim também. Me contou em detalhes a visita ao Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Ipanema, Copacabana... todos lugares em que a vida inteira só tinha visto pela modesta televisão que tinha em seu quarto. Essas histórias pequenas sobre a sua felicidade foram imprescindíveis em muitas das minhas decisões, de caráter, de carreira, de tentar promover o bem às pessoas de alguma maneira e sentir prazer em fazê-lo. Através dos anos percebi que sua maior vontade sempre foi viajar, conhecer lugares e pessoas, aprender sobre o mundo. Mas nunca conseguiu. A família a mantinha ocupada em todo seu tempo. E ela sempre foi uma ótima mãe, antes de qualquer outra coisa. Foi então que eu decidi que daria continuidade ao seu sonho, conheceria lugares, aprenderia outros idiomas, enfim, adquiriria uma bagagem multicultural como uma ligação da minha existência, com a dela. Hoje sigo meu caminho como posso rumo a carreira de piloto de avião. Possivelmente terei a oportunidade de conhecer os lugares que ela não pode, as culturas as quais não teve acesso e tantas outras coisas mais. Isso se tornou um objetivo. Há quem diga que essa é apenas uma maneira de fugir da minha atual realidade, de esquivar do sofrimento pelo qual tenho passado nos últimos anos. E isso me põe as vezes em xeque. Fazer todas essas viagens e seguir essa carreira demandam esforços pessoais muito grandes, como abrir mão do conforto da sua vida simples, próximo das pessoas que você conhece e gosta. Existe uma passagem em uma música que diz o seguinte: "Vou sentir saudades do conforto de minha mãe e do peso do mundo. Vou sentir saudades da minha irmã, do meu pai, do cachorro e da minha casa." Essa música trata de uma vida de ilusão, e de morte como consequência. Mas quando a escuto, para mim parece tratar de vida, e  de como as coisas deveriam ser no futuro. Saudades, já sinto. Não por antecipação, de fato minha irmã e minha mãe vivem apenas dentro do meu coração. Eu não sei quanto a vocês, mas para mim a saudade tem um significado muito especial, porque muitas vezes me tornou uma pessoa melhor. Não culpo nada ou ninguém por ter sentido saudade, de certo modo sou grato a tudo que me acontece, de bom e de ruim. As experiencias ruins sempre tem muito a ensinar, e as boas parecem vir como uma recompensa pelo seu crescimento. Quando eu era pequeno, sempre me esforçava para olhar por cima de tudo. E percebi que olhar para o futuro é como olhar para um muro mais alto do que você. Você não saberá que maravilhas ou decepções estarão do outro lado, descobrirá apenas quando tiver autonomia para transpor esse muro. E de repente você percebe que depois do primeiro há um outro muro, ainda mais alto. E que não importa quantos muros você já pulou, sempre haverá mais um. O futuro não é previsível. Tenha em mãos sempre linha e agulha para reparar as roupas que rasgaram e, principalmente, olhe para os lados.

Letra e tradução aqui:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Four tiny purple candles.

Ontem, 7 de dezembro fizemos 4 anos de namoro. Ganhei um cd, com músicas que ela escolheu e disse que eram para que eu lembrasse dela. Essas palavras me provocaram saudade. Durante esse tempo, não fui sempre a pessoa mais legal que  poderia ser, houve momentos em que me desviei do caminho e parti um coração que não merecia. Eu peço sinceras desculpas por tudo de ruim que a proporcionei. Foram 4 anos, talvez de muitos ainda que virão, com essa pessoa fantástica, amiga inseparável. Obrigado por mais um dia, linda.


Letra e tradução aqui:

Somebody to Love





When the truth is found to be lies

And all the joy within you dies


Don't you want somebody to love
Don't you need somebody to love
Wouldn't you love somebody to love
You better find somebody to love

When the garden flowers, Baby, are dead yes
And your mind is so full of red

Your eyes, I say your eyes may look like his
Yea!!
But in your head, Baby, I'm afraid you don't know where it is

Tears are running up, they're running down your breast
And your friends, Baby, they treat you like a guest